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“A casa estava abandonada e vazia. O frio invadia todos os recantos. Na banheira tinha-se formado uma fina película de gelo. Ela tinha começado a adquirir uma ligeira tonalidade azulada.

Ele pensou que, ali deitada, ela parecia uma princesa. Uma princesa de gelo.

O chão onde ele se sentava estava gelado, mas o frio não o incomodava. Estendeu o braço e tocou-lhe.

O sangue nos pulsos dela congelara há muito.

O amor que sentia por ela nunca fora tão intenso. Acariciou-lhe o braço como se acariciasse a alma que tinha agora abandonado aquele corpo.

Não olhou para trás quando saiu. Não lhe dizia “adeus, apenas “até breve”.”

 

Assim se inicia a revolucionária obra de Camilla Läckberg, nascida em 1974, licenciada na Universidade de economia de Gotemburgo antes de se mudar para Estocolmo onde, anos mais tarde, participou num curso de escrita criativa de livros policiais, o qual despoletou uma mudança drástica de carreira, sendo considerada a nova Agatha Christie.

 

“A Princesa de Gelo” inicia-se quando Alexandra Wijkner é encontrada morta na banheira da sua casa, gelada, com cortes nos pulsos, no que aparenta ser um suicídio. Uma das primeiras pessoas a vê-la naquele estado é Erica Falck, uma amiga de infância, com a qual a vítima perdera contacto há muito tempo. Erica é uma escritora de biografias de relativo sucesso, que voltou à sua terra de origem após a recente morte dos pais, e ainda se encontra a tentar organizar a sua vida. Juntamente com Patrick Hedström, um polícia local, envolvem-se na resolução deste crime, entrando num mundo de segredos, traições, mentiras e reviravoltas.

O enredo vai intercalando a investigação policial com o envolvimento das duas personagens principais as respetivas vidas pessoais. Ao contrário do que se poderia esperar, a autora optou por não incluir apenas o ponto de vista de Erica e Patrick, mas também de várias personagens secundárias de algum modo relacionadas com o que aconteceu a Alexandra ou apenas protagonistas de histórias laterais. Esta escrita confere ao livro uma multiplicidade de perspetivas que enriquece o enredo, o cenário e a história.

A leitura é viciante!

A autora consegue despertar no leitor a curiosidade de descobrir o desenlace da história, que não é fácil de adivinhar, mas que suga o leitor para o verdadeiro enredo. A autora põe os seus protagonistas a descobrirem elementos fulcrais da investigação, só os revelando bastante mais à frente, conseguindo aguçar a curiosidade do leitor, sendo praticamente impossível pousar o livro.

Uma das coisas que enriquece este policial é o facto de o leitor ter as pistas todas disponíveis para tentar fazer de detetive, e, no final, ser surpreendido. Tem uma habilidade incrível para colocar no seu enredo apenas o essencial, dando ênfase à ação, mas nunca descurando a caracterização das suas personagens e desencantando um final épico.

 

Este é o primeiro de uma vasta coleção, na qual seguimos a vida e as histórias de Erica Falck e de Patrick Hedström. Torna-se um ciclo vicioso, conseguindo fazer com que os leitores se apaixonem pelos livros um a um, nunca perdendo a magia, a surpresa e a imaginação.

 

Rosélia Lima, 5 ano

 

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