A corrente edição do HajaSaúde! pretende explorar a componente artística na Medicina, assim como as diversas formas que pode assumir para se expressar como tal. Neste segmento, em particular, quero expor o caminho da literatura e exemplificar com grandes nomes portugueses, primados pela conjugação da criatividade na escrivaninha e no consultório.

 

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Monumento a Júlio Dinis, cidade do Porto

 

Júlio Dinis é o pseudónimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, nascido em 1839 na cidade do Porto. Ingressou na Escola Médico-Cirúrgica do Porto em 1857, mas quando terminou o curso decidiu enveredar pela carreira de Professor, tendo conseguido a posição de demonstrador em 1865 na instituição onde se formou. Até aí, a sua escrita consistia num registo literário mais lírico e realista, tendo assinado as suas obras com o nome de batismo.

Entretanto foi diagnosticado com Tuberculose, pelo que teve de interromper diversas vezes a sua carreira e mudar-se para regiões mais rurais para fazer a então chamada “cura de ares”. Assim como a sua saúde e o contexto pessoal, também a sua escrita sofreu alterações, iniciando um registo mais próximo do romance rural, e abrindo as primeiras portas no mundo da poesia. Foi nesta altura que adotou dois pseudónimos, Júlio Dinis e Diana de Aveleda. As principais obras assinadas com o primeiro pseudónimo são: As Pupilas do Senhor Reitor (1867), A Morgadinha dos Canaviais (1868), Uma família Inglesa (1868), Serões da Província (1870) e Os Fidalgos da Casa Mourisca (1871). Joaquim Coelho faleceu em 1871, no Porto, vítima do prolongamento da sua doença.

A escrita de Júlio Dinis tem uma particularidade interessante. Apesar de ser contemporânea ao movimento do Ultra-romantismo, a proximidade de Joaquim Coelho à ciência e à realidade factual (o seu pai era médico também) tornaram-no num escritor mais realista. No entanto, o movimento Realista- Naturalista apenas tomou início a partir de 1870, durante as Conferências do Casino, pelo que podemos considerar as suas obras como inaugurais nesta escola literária.

Rosélia Lima, 5º ano

 

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