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Vénus de Willendorf

 

O comportamento sexual do ser humano distingue-o do apresentado pelas demais espécies animais, na medida em que não se reveste apenas de um caráter prático e palpável – reprodução e obtenção de prazer; mas antes aufere de um grande sentido de simbolismo, condicionando o imaginário da humanidade e traduzindo-se em amplas demonstrações no que advém da intelectualidade do Homem.

Se tentarmos definir o que é ser humano, sem dúvida, temos de introduzir o conceito de arte nessa nossa definição. De uma forma muito sumária, a arte é uma visão do Mundo; a informação que recebemos pelos nossos sentidos é alvo de interpretação e de adição de significado próprio e toma forma própria como representação do que a soma destes fatores traduz. Desta forma, não é de estranhar que o comportamento sexual tenha sido, desde o inicio da humanidade, um objeto primordial da criação artística.

A sexualidade como objeto de arte é evidente desde cedo, em obras como a Vénus de Willendorf, datada cerca de 25000 a.C. Pouco se sabe sobre esta estátua; os teóricos de hoje apenas podem conjeturar sobre que função a mesma teria, qual o ideal por detrás da criação da mesma, qual o seu significado, o que queria mostrar o seu criador, se algo havia para mostrar. O facto é que fomos rápidos em assumir que esta mesma estátua tenta ser uma representação da sexualidade ou de um desejo de atingir a fertilidade – uma imagem que tenta oferecer mais estímulos que não a mera imagem; antes passível de interpretação e de criação de novos significados e sequentes desejos.

 

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Período Inca, Perú

 

Acompanhado a evolução humana, vemos que na medida em que surgem sociedades mais complexas e estruturadas, maior é a criação artística em redor da sexualidade, em todos os registos possíveis – escrita, pintura, escultura, música e todos os demais registos que nos possamos recordar. E sendo sempre premente em todas as civilizações que emergiram ao longo da história, acompanhando a migração do ser humano por todos os continentes.

 

Khajuraho, Índia, século X
Khajuraho, India, séc X

 

A sexualidade como objeto de arte é de tal forma ubíqua em todas as civilizações que através da produção artística que daqui advém conseguimos vislumbrar muito mais do que a mera arte em si, mas antes ter autênticas construções da forma como cada sociedade se regia e funcionava.

 

Fresco em Pompeia
Fresco na cidade romana de Pompeia

 

De cada vez que uma civilização prospera, mais complexa e rica se torna a representação artística da sexualidade; maior a sua conotação com o imaginário. Em boa verdade, tal é visível em praticamente todos os cantos do planeta, em diversos tempos, em diversas histórias e de forma quase independentes da existência de contacto entre as diferentes civilizações, como bem ilustram os exemplos acima.

 

Michelangelo - Fresco Capela Cistina – século XVI
Michelangelo, Capela Sistina, séc XVI

 

Em jeito de súmula, a forma como vivemos a sexualidade acaba por ser uma porta entreaberta para compreendermos melhor a nossa pessoa e a nossa complexidade enquanto seres humanos, o que se ilustra muito bem na produção artística que dai advém.

Como futuros médicos não podemos, portanto, descurar a importância da sexualidade na nossa abordagem do doente, uma vez que esta e o comportamento sexual inerente são indissociáveis da saúde; o pleno bem-estar e função social do doente.

 

Pedro Peixoto, 2º ano MD/PhD

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