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HajaSaúde!: Como surgiu o teu interesse pela pintura?

Mafalda Gouveia: O meu interesse pela pintura surgiu quando tinha mais ou menos um ano de idade, quando a minha mãe me pediu para desenhar o meu peluche favorito. A partir daí, passava a maior parte do tempo a desenhar e a pintar. Além disso, sempre tive acesso a muitos livros sobre pintores importantes que me inspiraram bastante. Por isso, desde que me lembro sempre tive este interesse.

HajaSaúde!: Tiveste educação artística? Pintores na família? Foste educada familiarmente ou academicamente?

Mafalda Gouveia: Nunca tive educação artística formal, a não ser aquela do currículo escolar de qualquer aluno. Então aprendi a maioria das técnicas sozinha. No entanto, a arte está bastante presente na minha família dado que, o meu avô era pintor, a minha tia também o é e a minha mãe tem um grande interesse pela área, por isso, sempre tive muito apoio e incentivo nesse aspeto.

HajaSaúde!: A cada quadro corresponde uma ideia?

Mafalda Gouveia: Na maior parte das vezes sim. Costumo pensar numa ideia ou num conceito que procuro transmitir com a pintura ou ilustração. Por exemplo, algumas das minhas obras têm por base um poema que escrevi no qual tento complementá-lo com uma representação para que, aqueles versos sejam mais fáceis de compreender.

HajaSaúde!: Quais são os teus artistas/pintores preferidos? Há algum que te inspire particularmente?

Mafalda Gouveia: Desde pequenina que sinto uma forte admiração por Da Vinci pois este conciliou a arte com muitas outras áreas. Além disso, adoro arte moderna e a maior parte dos seus estilos. Tenho particular interesse por Van Gogh, Monet, Salvador Dalí, Frida Kahlo, Matisse e Kandinsky.

HajaSaúde!: Qual foi a obra que mais gostaste de pintar? Qual a temática que mais gostas de pintar?

Mafalda Gouveia: Penso que o trabalho que me deu mais gosto ilustrar foi a “Medusa” pois foi inspirada numa das supostas primeiras pinturas de Da Vinci num escudo e também na “Medusa” de Caravaggio. Além disso, também usei uma técnica que nunca tinha experimentado, tinta-da-china com aparo. A temática que mais gosto de pintar é o ser humano e tudo o que advém disso, particularmente a figura feminina.

HajaSaúde!: O que pretendes transmitir com a tua obra?

Mafalda Gouveia: Por um lado, penso que as pessoas devem ter liberdade de interpretarem qualquer obra livremente, sem qualquer tipo de restrições, pois cada um tem uma perceção do significado das formas e das cores diferente. Por outro lado, desejo transmitir certos conceitos nas minhas obras, muitas vezes relacionados com medicina, como por exemplo, a barreira médico-doente e até onde é que o médico deve intervir na vida dos pacientes.

HajaSaúde!: Que reações tens percebido que a tua obra desperta nas pessoas?

Mafalda Gouveia: Apesar de muitas vezes as minhas ilustrações tocarem assuntos mais sensíveis e por vezes serem bastante gráficas e explícitas, tenho recebido ótimas reações, que vão muito para além do que inicialmente esperara. Sempre tive um imaginário grotesco e excêntrico, mas penso que muitas vezes a melhor forma de passar uma mensagem é pelo “choque” e mostrar que há muitas formas de percecionar um assunto.

HajaSaúde!: A pintura constitui uma necessidade, vocação ou exigência?

Mafalda Gouveia: Pinto quando quero e porque me dá prazer. Nunca vi a pintura como uma exigência, não sei se será necessidade ou vocação. Desenho simplesmente porque me apetece, posso passar muito tempo sem o fazer ou então posso estar sempre a fazê-lo. Penso que é algo que me é natural mas que também não me define inteiramente, simplesmente é algo que gosto de fazer.

HajaSaúde!: Como concilias a pintura com a medicina?

Mafalda Gouveia: Penso que todos os estudantes de medicina têm que conciliá-la com algo, seja com os amigos, seja com qualquer tipo de desporto, seja com ver filmes e séries. Independente disso, penso que o médico não é só médico e antes de tudo é um ser humano que precisa de várias atividades para se desenvolver na sua plenitude. Considero que, como futuros médicos, devíamos alargar os nossos horizontes e não ver a prática médica como um fim a atingir, mas como um meio em si.

 

João Lima, 3º ano

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