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Baseado na história verídica dos escritores Kumail Nanjiani e Emily V. Gordon, The Big Sick, conta-nos a típica história de um rapaz que se apaixona por uma rapariga.

Uma história ordinária, e aparentemente banal, é trazida ao cinema pelo experiente realizador Michael Showalter que utiliza acontecimentos reais para retratar a cultura paquistanesa no seio americano atual. Kumail é um jovem de origem paquistanesa cujos pais mudaram-se para Chicago quando ele era novo em busca de uma vida melhor. Agora, um adulto formado, trabalha como comediante e motorista uber e não segue as tradições paquistanesas apesar de os seus pais o forçaram a tal. Num dos seus muitos espetáculos, conhece Emily, uma típica jovem americana que possui o sonho de ser psiquiatra. Eventualmente os dois apaixonam-se e começam uma relação, apesar dos pais de Kumail obrigarem-no a encontrar uma rapariga paquistanesa para casar.

Um filme brilhante que explora com sátira, ironia e profundidade temas relevantes nos dias de hoje como o racismo, a cultura, a religião, a amizade, o amor e sobretudo a rivalidade que existe entre o sonho e as obrigações. Kumail tem o sonho de ser um comediante famoso e de se casar com Emily, ao mesmo tempo que tem a obrigação para com a sua família de tirar o curso de Direito e a casar-se com uma paquistanesa.

O papel principal é interpretado pelo próprio Kumail enquanto Zoe Kazan interpreta Emily. Apesar de inexperientes na área da representação, Kumail consegue retratar a sua própria história como se tratasse da primeira vez, ao mesmo tempo que Zoe incorpora Emily com tamanho sentimento e genuinidade que faz o público criar uma ligação especial com o enredo.

O aspeto que me mais me cativou neste filme foi sem dúvida a forma como faz o espectador sentir algo diferente a cada cena. Tanto podemos estar numa cena repleta de comédia e sentido de humor que nos faz chorar de riso, como podemos estar numa cena mais pesada e dramática que nos faz chorar de tristeza e revolta. Tudo é conduzido se uma forma brilhante que prende o público até ao final. Algo que também irá certamente cativar os leitos a ver o filme é que envolve bastantes termos médicos e a vida num hospital já que maior parte do enredo se passa dentro das paredes de um hospital.

Apesar de ter passado despercebido nas salas de cinema portuguesas, The Big Sick é já considerado um dos melhores filmes do ano, com uma classificação de 98% no rottentomatoes com uma média de 8.2/10 e seis prémios em festivais de cinema. No futuro esperemos contar com inúmeras nomeações nos Globos de Ouro de 2018 na categoria de Comédia e, quem sabe, talvez nos Óscares deste ano. Para aqueles que ainda não viram este magnífico filme resta-vos apenas fazê-lo o mais rápido possível, algo que certamente não se irão arrepender de fazer.

 

Jorge Machado 3ºAno

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