Hoje vou dedicar-me aos efeitos das novas tecnologias de informação na saúde. Não me vou debruçar sobre o que é que estas nos podem trazer, enquanto médicos, mas antes ao que estas podem providenciar aos doentes. Acima de tudo, estas podem empoderar os mesmos para a sua saúde.

De entre estas novas tecnologias, gostava de salientar o papel que as aplicações para smartphone podem ter na capacitação dos doentes, para a sua saúde. Isto porque, basicamente, se tornam numa ferramenta excelente para estes monitorizarem a sua saúde e alterarem o seu estilo de vida consoante os resultados providenciados pelas mesmas. As possíveis aplicações ao dispor dos doentes são já variadíssimas e, olhando para o meu próprio smartphone, são imensas as possibilidades: monitorização de frequência cardíaca, atividade física, sono, parâmetros biomédicos, dieta, contador de passos, termómetros … e a lista continua quase de forma infinita. Segundo o Institute for Healthcare Informatics, há já mais de 165 mil apps nesta lista!

Estamos, portanto, perante uma potencial revolução nos cuidados de saúde; uma em que o papel do doente enquanto ator se torna preponderante. A questão é: estaremos nós a aproveitar corretamente estes dados? Estamos, de facto, a dar-lhe algum tipo de utilidade prática, no sentido de alterar decisões clinicas, consoante o que estas apps nos oferecem? Neste momento, penso que a resposta é um redondo não.

Por outro lado, coloca-se uma questão muito premente. O que é feito com os dados que estas apps obtém. Já vimos o que não é feito, nomeadamente serem aproveitados para a prática clínica. Mas a verdade é que, sem a devida segurança e encriptação, facilmente se encontram disponíveis a sujeitos que nós não queremos. Tornam-se também preciosas ferramentas para efeitos de benchmarking e afinamento/targeting de estratégias publicitárias, porventura abusivas. A verdade, neste momento, é que a regulamentação nesta matéria é reduzidíssima/ nula e a enorme maioria das apps que aqui falamos não têm quaisquer políticas de preservação dos dados e privacidade, algo já comprovado por um estudo do Illinois Institute of Technology Chicago-Kent College of Law, onde mostram que isto é o que sucede com cerca de 81% das apps analisadas.

Em conclusão, estamos perante uma área que pode revolucionar a prática da medicina, na medida em que se saiba aproveitar o enorme input dos dados clínicos do doente. Estas têm quase a particularidade de serem quase em livestream, pelo que podem ser realmente efetivas na modulação da decisão e aconselhamento clínico. No entanto, é preciso tomar medidas no sentido de proteger a confidencialidade destes dados e preservar a segurança digital dos nossos doentes.

 

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Pedro Peixoto ( Web Design)

Pedro Peixoto, MD/PhD student

 

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