Ao longo desta edição fomos desbravando as mais intricadas formas como a informática e as novas tecnologias têm marcado o seu terreno na medicina. Deste modo, entramos num paradigma de cuidados de saúde indubitavelmente diferente do que tínhamos vindo a conhecer até então. Os cliques e duplos-cliques revolucionaram não só os tratamentos e os métodos de diagnóstico que podemos oferecer aos nossos doentes, mas também a própria dinâmica da relação médico-doente. Por um lado, foi possível solucionar o mais temível pesadelo de qualquer enfermo ou farmacêutico, a ‘letra de médico’. No entanto, é quase indiscutível que se tem vindo a criar uma barreira nesta dinâmica, pelo que caímos na tentação de conhecer melhor o nosso doente pelo ecrã do que pelo rosto que temos à nossa frente. Esta dependência da linguagem binária assustou-me, e levou-me a levantar questões acerca de como é que médicos e hospitais estão preparados para lidar quando esta relação desmorona e somos confrontados com um papel, caneta e pouco mais. Portanto, determinei-me a pesquisar como é que um hospital gere uma falha no seu sistema informático e/ou no circuito elétrico.

No Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia-Espinho, em caso de falha do sistema informático, todos os registos, relatórios, prescrições e requisições de exames complementares de diagnóstico são efetuados em fichas manuais, pré-definidas e racionadas pelo Diretor de Sistemas de Informação do hospital. Para a triagem, é responsabilizado um administrativo que fica encarregue de distribuir os registos de admissão e de enfermagem pelos consultórios correspondentes a cada especialidade, e, por conseguinte, os médicos orientam a chamada dos doentes conforme a prioridade que lhes foi correspondida.

No caso de falha do circuito elétrico, o hospital tem geradores de reserva que se acionam automaticamente e garantem que as enfermarias, os blocos operatórios, as máquinas de imagiologia e aparelhos de Unidades de Cuidados Intensivos continuem operacionais. Em adição, estes geradores são inspecionados todos os dias, a fim de assegurar que se mantêm funcionais caso sejam necessários.

Consideração final: embora me tenha sido confirmado que é raríssimo estes dois mecanismos entrarem em disrupção, devemos manter a noção de que, na ínfima possibilidade de isso acontecer, a nossa prioridade é a organização da equipa de trabalho, porque sem ela não há comunicação eficaz e sem comunicação eficaz estamos a comprometer o cuidado dos nossos doentes.

Em jeito de conclusão, 3 regras de ouro se seguem: saibam com quem trabalham, aprendam a trabalhar em diferentes circunstâncias e invistam em aulas de caligrafia 😊.

Rosélia Lima, 4.º ano

 

Agradecimentos:

Edite Silva, administrativa

Enfermeira Teresa Matos, especialista em Enfermagem Ortopédica

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