O mundo rodopia e passeia alegremente acenando às estrelas, sem ficar ourado de tanta volta. Gira e ronda incessantemente, tal como se alguém muito curioso, continuamente, o impulsionasse através de um touchscreen, ao fazer deslizar as imagens. De facto, vivemos eras de enorme prosperidade tecnológica e de um sem-fim de aplicações móveis onde muitas das quais, felizmente, têm sido colocadas ao dispor da medicina e também da sexualidade.

Passemos então, a abordar algumas das muitas aplicações que servem as populações de forma móvel e prática.

Como primeiro exemplo, hoje em dia, não é mais necessário praticar o sorriso ou o cortejo e os pobres trovadores veem ser-lhes cerradas as persianas das janelas. Com um simples deslizar de dedo tornou-se possível vislumbrar e, até mesmo, atestar disponibilidade de parelha, através de aplicações para smartphone. Assim, tornou-se possível aproximar as pessoas e, facilmente, dar o tal empurrãozinho que carece, na timidez da miosite ossificante e que aprisiona aquele que quer interagir mas não sabe como, temendo a recusa e o repúdio. Citam-se exemplos de aplicações como o Tinder® ou o Badoo®, entre tantas outras. Assim se formaram inúmeros casais, assim se deixaram outros quantos por casar para que fosses nosso, ó mar virtual. Portanto, findaram-se deprimentes solidões que são, como é sabido, nefastas para a saúde psíquica de cada um. No entanto, como já foi motivo desta rubrica, em edições anteriores, nunca é demais relembrar que todo o tipo de analogias sexuais devem ser mediadas por uma proteção eficaz e consciente, contra Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST). De facto, alguns estudos indicam que utilizadores dessas aplicações têm mais propensão a comportamentos sexuais de risco, o que deve constituir maior aconselhamento e supervisão da comunidade médica. Neste âmbito, existem mesmo aplicações como a MedXCom®, onde os usuários podem colocar informações sobre a sua saúde e, onde os potenciais interessados podem atestar se os seus parceiros terão ou não IST.

Existem também aplicações que poderão ser de enorme importância para casais que pretendam ter filhos, tal como a Glow Fertility App®, que notifica a mulher sobre os dias mais férteis que poderá experienciar e aproveitar para tentativas de conceção, construindo um calendário sobre menstruação ou ovulação. Esta aplicação tem ainda a particularidade de ajudar, monetariamente, o casal, em tratamentos médicos de infertilidade ou procriação medicamente assistida, caso ao fim de 10 meses se prove ineficaz.

Há ainda aplicações, onde é possível registar dados sobre a performance sexual, como a Spreadsheets® e assim, apostando na melhoria contínua, tentar superar-se ou atestar virilidade e garantir qualidade a outrem. Existem também diversas aplicações sobre particularidades e sugestões ao ato sexual que desapontando os nossos leitores não serão aqui abordadas, por não lhes vislumbrar, qualquer aparente interesse puramente médico.

Mas o universo das aplicações móveis ao serviço da medicina não termina aqui e existem muitas outras, destinadas a outro tipo de intuitos, menos românticos, mas igualmente necessários e salubres. Aplicações como a Men’s Sexual Medicine®, que conjugam a urologia com a medicina e permitem a autoavaliação de problemas relacionados com o campo sexual, para indivíduos e casais que não desejam consultar um médico, e que pretendam somente, uma primordial avaliação da questão. As temáticas poderão ser sobre disfunção erétil, patologia que, por motivos diversos, priva o rubefaciente efeito que retiliniza tortas linhas; Sobre ejaculação precoce, em que o entusiasmo é de tal ordem que impele a celebração antecipada, antes das badaladas festivas; ou simplesmente a patológica carência de voluptuosidade sexual.

E como o que é feito entre portas é sempre inspiratório para os nossos alunos, existe ainda uma aplicação em urologia, desenvolvida na nossa escola, pelos Doutores e ex-alunos Pedro Maganinho e Edgar Amorim, supervisionados pelo Dr. Paulo Mota e pelo Dr. Emanuel Dias visando esta problemática, nos doentes com hiperplasia benigna da próstata. Esta aplicação permite uma melhor interface, possibilitando uma melhoria da qualidade de vida. Nesta aplicação, após preenchimento de um consentimento informado, os usuários registam-se, colocam os seus dados antropométricos e clínicos, respondendo sempre que considerem necessário, a um questionário que engloba várias questões clínicas sobre sintomas do trato urinário baixo e sobre a pérfida disfunção erétil. Posteriormente, o doente recebe feedback, por correio eletrónico, onde lhe são apresentados os resultados de forma interativa, os quais pode, posteriormente, apresentar e discutir com o seu médico, visando o melhor tratamento e acompanhamento. Isto permite reduzir o número de consultas e obter informação clínica precisa e acurada, quando necessário. A app permite ainda, obter esclarecimentos creditados sobre a patologia, de forma a melhor entender e lidar. Estes autores realizaram ainda um estudo de avaliação da aplicação, no âmbito de uma tese de mestrado, que concluiu uma boa aceitação por parte dos utilizadores e uma grande maioria não só não teve dificuldades em usar a aplicação, como a apreciou e usá-la-á novamente.

De facto, existem diversas ferramentas para incentivar, regular ou mesmo resolver problemas relacionados com o ato sexual e de consequente relevância médica. Contudo, não é menos necessário salientar, que apesar de tanta tecnologia, não há toque de ecrã que suplemente o veludo cálido de uma pele ou que desminta que um ato valha mais que mil imagens. A sexualidade é feita por pessoas, para pessoas e não há tecnologia que faça a binarização de instintos, de sensações ou de ápices soltos.

 

João Barbosa Martins 6º ano

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João Barbosa Martins
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