Mário Carneiro (6º ano)

Nem consigo explicar o quão feliz estou por estarmos de volta a mais um ano letivo! Para mim, significa a 27ª matrícula no curso de Geologia Aplicada à Gestão de Línguas, com o grande objetivo de conseguir finalmente concluir o 2º ano. Tenciono acabar o curso antes de me reformar! Ora bem, o que temos aqui? (folheando a revista) Ah, Educação Médica, muito bem. Já estava na altura. Conheço muitos médicos mal-educados. Na esperança de alcançar uma ínfima franja de pessoas que, eventualmente, tenham ou terão uma profissão onde possam vir a usufruir disto, de seguida apresento-vos um Guia da Boa Educação Médica (com o apoio Planeta DeAgostini). Primeiro de tudo, é essencial que o médico saiba qual é o seu papel. É inaceitável que os formados, ao fim de um curso de 6 anos – ou seja, no caso da pessoa média, 40 anos de curso -, não percebam qual é o verdadeiro objetivo de se ser médico: ouvir. E ouvir. E, em algumas especialidades, escutar. É, portanto, de extremo mau tom que o meu doutor das cruzes me esteja a interromper logo ao fim de 40 minutos. É como se estivesse a fazer de propósito para não saber o que aconteceu ao filho de uma senhora muito amiga de uma mulher que conheci no autocarro 74, cujo homem teve um acidente de caça há cerca de 3 anos mas está a recuperar muito bem. É suposto este médico entender a minha maleita assim?!… Depois, há um ponto igualmente pertinente: a relutância perante passar as receitas fundamentais. Recordo-me de um episódio que me ficou marcado, tal foi o grosseirismo que me foi atirado à cara… Fui às Urgências do Hospital da Santa Nossa Senhora da Inocência Conceição, pois tinha dado um golpe no dedo médio do pé esquerdo e já só tinha 3 caixas de morfina em casa. Logo a abrir, fui rotulada como uma doente “não urgente” – inadmissível, igualmente, a maneira como rotulam as pessoas, como se eu fosse uma lata de grão de bico. Esperei, esperei, esperei. Quando finalmente, ao fim de dez minutos, fui atendida por uma médica – ainda por cima uma novinha, que falta de respeito, nem 20 anos deve ter andado na faculdade! –, esta disseme para não me preocupar porque não parecia “grave”. Que tipo de conversas poderia eu ter com as minhas amigas sendo isto verdade?… Ainda assim, pedi-lhe que me passasse as 15 receitas para mim, o meu sobrinho, a Dona Arlene e o seu cão para me ir embora. Mas qual quê? Passoume apenas uns anti-psicóticos e disse para tomar “o maior número de vezes possível”! A verdade é que não tenho visto muito a Dona Arlene desde que comecei a tomá-los. O cão, esse, continua por aí, ainda noutro dia me disse “olá”. Não podemos ainda fugir à arrogância dos médicos quando acham que sabem sempre mais do que os doentes. “Estudos científicos revelam que…”, “o que está descrito é…”, “a senhora é uma palerma…” são tudo maneiras de se porem com rodeios para nos fazerem crer que a sua opinião é superior à da plebe. Eu não vou ao hospital para pedir conselhos, para isso leio todas as crónicas que já escrevi! Quero, sim, que o médico repita fielmente tudo o que eu lhe digo, de forma a validar a minha opinião! É algo contraproducente que, ao fim de eu expor a minha verdade absoluta, ele me venha dizer que estou errada – e ainda por cima, usando argumentos! O que é isto? Que tipo de prática clínica se faz em Portugal?… Assim vamos longe, vamos! Pois a certa altura uma vizinha minha tinha azia e depois de passar um creme de canja de leão na cara passou-lhe automaticamente! Querem as vossas preciosas “provas científicas”? Neguem esta agora! Por fim: se virem um doente na rua, não finjam que não o conhecem! Já me viram zonas do corpo que muitos homens apenas imaginaram, o mínimo que podem fazer é dizer “bom dia”! E dar dois beijinhos! Perguntar “como é que vai a vida, Sra….” e tratar-nos pelo nome certo! Depois, pagar-me um café na pastelaria mais próxima! Nem têm de andar muito, pode ser aquela logo ali na esquina! Um café, uma fatia de cheesecake e dinheiro para o táxi de regresso a casa, é tudo o que peço, e depois podem voltar para as vossas vidas de superioridade e nariz empinado! Quanta bazófia. Há muito médico mal-educado por aí. Façam favor de aprender alguma coisinha. O meu conselho? Desçam desse pedestal, deixem-me falar à vontade e dêem-me 50€ no fim! Só vos ficava bem, já que ninguém gosta de vocês, seus ranhosos.

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